sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Telhado de vidro


Teu passo é leve.
Teu olhar é firme.
Teu sorriso exprime...
tanta beleza assim só pode ser breve!

Tua pele, é doce.
Teu pulso é forte.
Tua palavra é de sorte.
Queria você pra mim, se assim fosse.

Teu satélite gira em torno.
Tua postagem compara.
Teu sinal é coisa rara.
Você aí longe de mim, é morno.

Teu peito pesa.
Tua mão separa.
Tua vontade é clara.
Vem, que teu vinho barato já te espera na minha mesa.


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terça-feira, 8 de setembro de 2009

Quem sabe...


Quem sabe eu ainda sou uma garotinha

Esperando o ônibus da escola sozinha

Cansada com minhas meias três-quartos

Rezando baixo pelos cantos

Por ser uma menina má

Quem sabe o príncipe virou um chato

Que vive dando no meu saco

Quem sabe a vida é não sonhar

Eu só peço a Deus

Um pouco de malandragem

Pois sou criança e não conheço a verdade

Eu sou poeta e não aprendi a amar

Bobeira é não viver a realidade

E eu ainda tenho uma tarde inteira

Eu ando nas ruas, eu troco um cheque

Mudo uma planta de lugar

Dirijo meu carro

Tomo o meu pileque

E ainda tenho tempo pra cantar




Cássia Eller

domingo, 30 de agosto de 2009

No limite


Quem tá sou eu!

domingo, 16 de agosto de 2009

Amor e Pessoas e Vice-versa


Tão engraçado lidar com pessoas,
deveria ter era uma graduação de como lidar com pessoas,
de como esclarecer idéias e opiniões.
Pessoas tentam mudar o que é simples.
Parece que cresceram, só cresceram.
Na escola, pelo visto aprenderam só a subtrair, pois tentam diminuir quem está do lado oposto,
quem quer o bem, quem quer amor.
Parece que quando aplicaram a multiplicação, a professora disse: - Multipliquem os problemas!
Porque trazer tanto problema? porque aumentar cada vez mais as complicações, falam coisas querendo dizer outras, e acabam vendo que no fim das contas não somam em nada!
Se torna tão difícil dividir o mesmo teto, a mesma roupa, a mesma mesa, o próprio copo de suco, se torna impossível de conviver mais do que duas ou tres semanas com a mesma pessoa.
Daí me pergunto: - O que é que está acontecendo com o amor?
Isso tá errado!!
Tá tudo atravessado, lidar com pessoas deveria ter uma graduação e pós- graduação.
Ninguém nos ensina a lidar com pessoas, e muito menos com amor, que dirá com os dois juntos!
Por fim acaba por ninguém se entender, acabam-se por se beijar e se apertar mesmo sem ninguém ter decidido nada, brigam, discutem casos e descasos e nada! Nada muda, nada se acrescenta, a única coisa que aumenta é a mágoa que vai ficando, e aí me fala:
Quando isso acaba?
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quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Vestido


Tudo passando,
Te vi na varanda chorando.

Sei bem que minha ida,


te doeu,


encomodou.


Teu vestido,


que roubei aquele dia


pra trazer junto de mim,


olhando ele hoje,


parece que desbotou.


Até pensei em usar, e me acabar 

em uma festa qualquer


e por alguns minutos,


te sentir me abraçar.


Percebo hoje,



que as flores,

já parecem não ter mais cores

as listras perderam-se no abismo

O seu vestido rasgou

o corte já não combina mais,

o cetim virou breguice,

e a renda, como o nosso amor



arrebentou.



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terça-feira, 4 de agosto de 2009

Poema do abandono


Sinais teus,

vindos de estranhos,

bocas que falam o teu presente.

Um futuro meu, incerto , devagar, distante de ti

numa vida planejadamente contente.


Sinais que destroem os meus passos mais viáveis.

E eu que te sentia tão perto de mim, sentia teu peso aqui do meu lado,

é como se minha cabeça girasse com esse vinho barato,

me embebedando pra te esquecer de vez.


Pelo menos esta noite.


Meu pensamento tenta por alguns momentos

congelar imagens tuas.

Mas minha alma já parece correr procurando um outro alguém

pela rua.


Por noites mal dormidas, seguindo a tua espera,

do que virá e do que já se passou.

Acordo no outro dia achando mesmo que o futuro não virá,

que o teu tempo comigo já se fechou.

Da vida que pedi, ao seu lado, num futuro que só você não crê

hoje vejo que na verdade me perdi,

dentro de você.




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domingo, 2 de agosto de 2009

Uma hora vai!


Tem fases que eu te abandono,

que eu jogo a toalha.

Que eu te esqueço, que eu te detesto, que eu me sufoco de ti,

que eu paro de pensar na tua vida, que eu paro com essa mania louca de achar que você está perto.

Tem dias que eu me sinto protegida por ti, e tem dias que eu me protejo de ti.

Por diversas vezes eu quero te deixar, parar com essa bobagem te esperar.

E eu que nunca abandono nada,

às vezes quero te abandonar.

Ontem, já na cama, senti falta daquele dia, em que nem precisava falar muito, era só olhar nos teus olhos e rir.

Rir de felicidade, da felicidade que eu achei que nunca ía sentir, de te ver assim bem perto, de sentir a minha mão na tua mão, de ver que a tua boca é maior que a minha, e perceber que o teu corpo combina direitinho com o meu.

Ontem, eu pensei em te abandonar, e largar toda essa procura sem nexo, e viver a minha vida, sem me questionar ou te esperar.

Ontem, eu sonhei contigo, sonhei que a gente ria, devia estar engraçado.

Hoje acordei, olhei pro teto coloquei a mão nos olhos e vi que continuo querendo você.

Hoje eu vi que definitivamente, eu não consigo abandonar as coisas,

e nem você.





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sexta-feira, 24 de julho de 2009

Primeiro Conto: Vermelho


Fala de amor como se pudesse pegá-lo com a mão afim de
manipulá-lo.
Falou dela quando entrou correndo, porta à dentro, não sabia se queriam ouvi-la falar,
mas ela só falou, e falou desde então, que se era amor o que sentia, sentia medo.
Medo de que? Questionei. Afim de colocá-la à prova dos seus sentimentos. Ou Organizá-los, só! Dizia aos gritos - " É ela, é ela, a mulher da minha vida!"
Ela toma café, tem mãos lindas e um esmalte gasto, pelos dias, ou pelo trabalho.
Ela tem uma boca enorme e vermelha, um olho verde mas daqueles que combina com a boca e com o vermelho escuro da unha, já meio gasto, repetia.
Ela fugiu de mim, contou-me, assustada.
Xinguei como se xinga uma criança mal-educada!
- O que fizeste?
- Como assim, espantas a mulher da tua vida?
- " Ela é linda!" -respondeu.
- Ela acredita no amor e não acredita em mim, ela fala de amor com facilidade e não tem medo de se expôr, ela me deixa confusa, ela me deixa perdida, ela me encontra, e ela me desperta, ela me invade de coisas que eu não conhecia, ela me carrega no olhar e no movimento da boca, ela me deixa louca, e eu nem dou mais bom dia pra você!
Me falou disso, achando que eu poderia salvá-la. E eu disse : - Salvar? Corre pra ela! Deixa essas cores novas invadirem o teu dia que andava tão bege e cor-de-burro-quando-foge! Prende ela com teus dedos, coloca-a no meio das tuas articulações, afinal pra quê servem tê-las tão visíveis no verso da tua mão?
-Tenho medo! Ela me fará sofrer! Não sei lidar! Disse ela, com receio no olhar.
Ela tem tudo que eu sempre quis, ela fala de amor diferente do meu amor, e eu acho que a nossa opinião é diferente mas é tão bom que seja assim, assim a gente tem o que falar. Assim ela me decifra, e eu adoro ver ela questionar!
Ela que tem acolhido minha sanidade esses dias e hoje choveu e eu queria ter ido lá, e eu achava que não ía sentir falta, nem falei em ir, mas eu queria ver a cor da chuva da janela dela, eu queria ver que cor tem a chuva quando eu sento do lado dela , eu queria ver aquela taça de vinho pela metade, em cima da mesinha de centro, e falar dos meus medos, e sentir corpo dela me aquecer, por boa parte da noite.
Ela me olhou dizendo tudo isso e perguntou-me:
- É amor? Heim? que cor tem esse amor?
E eu disse:
- É cor de inverno que esquenta só de olhar, é cor de verão que dá calor só de tocar, é cor de qualquer estação, que o vermelho possa entrar.




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sábado, 18 de julho de 2009

No meu tempo


No meu tempo os mais novos respeitavam os mais velhos, os filhos amavam os seus pais e no mínimo irmãos se aturavam.

No meu tempo, eu via namorados dividindo a igreja, e subindo no altar usando branco.

Não que eu esteja velha, ou ficando, apesar da data de aniversário estar se aproximando, e a velha mania da síndrome de Peter Pan e sua gloriosa Terra do Nunca, me assombrarem.

Deve ser uma avaliação breve e passageira que eu resolví conversar com o vidro do ônibus, sim eu só ando de ônibus agora, porque assim eu consigo manter a minha dignidade no trânsito carioca, porque no meu tempo até tomar chimarrão no volante dava multa! Aqui tudo é possível!

Aqui, aprendi a gritar, me enfiar na frente dos outros, xingar mulheres mesmo sendo uma tantinho feminista, mandar os com mais de 60 para o asilo, sem me importar com minha não aceitação da velhice.

No meu tempo, amar um ou outros era fácil.

Hoje as 16:08 é melhor eu não me aproximar dos outros. E isso foi de agora, que andando na calçada quase que um Mercedes, com um senhor que aparentava ter uns 50 ou mais, por um segundo não me fez virar chiclete no asfalto!

Ou os tempos mudaram, e não nos vemos mais obrigados a olhar para o lado e sim só para frente e acima da linha do horizonte, ou como diz mesmo Renato Russo " a humanidade é desumana".

Mas isso, eu já sabia.
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quinta-feira, 16 de julho de 2009

Quem é você


Quem é você que me faz te aceitar sem dizer não.

Quem é você que me faz renunciar todo dia, qualquer ilusão que possa me fazer rir.

Quem é você que me invade sem fim, onde você se enconde, onde é a tua casa?

De onde vem essa força, que vem de ti me agarrando todos os dias pelos pensamentos?

Essa calma que me faz pensar em ti, essa vontade de te ver passar, a qualquer hora.

Quem é você que me esconde do resto do mundo, querendo-me só pra você, num coração eternamente só teu.

Num fôlego só teu, na respiração só tua, de sentir meu peito apertar querendo te conhecer, quem é você que se esconde de mim, e me faz viver assim, sem saber de onde vem você, e toda essa certeza de que você irá me resgatar.

Quem é você que me mata de saudade, da saudade de não ter vivido, quem é você que me faz correr contra o tempo ou viver o tempo.

Quem é você que nem conheço só escuto tua voz, dizendo "espera",

e eu digo " escuta".

Você diz espera, eu espero com calma mas meu coração te busca aonde quer que você esteja perto ou longe. Aqui, ou do outro lado do mundo, aqui, na outra rua.

Então eu espero.

Eu digo escuta, porque eu sei que você, de noite, quando deita na cama, me procura, me chama, e me repete, e aonde quer que eu esteja, eu sigo até o seu pensamento, até o seu quarto, e falo no seu ouvido, juras de amor tão eterno.

quem é você que me arranca essas breguices, malucas, sem nexo e com tanta certeza.

Quem é você?


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