sexta-feira, 3 de julho de 2009

Era de Virgem





Confessava que poderia passar horas falando dos detalhes, que lhe serviam para dar inspiração aos movimentos da face quando a via. Sabia de deveria ter calma ao falar dela, ou com ela.


Ela, que era tão observadora.




Ela era menina, coração parecia puro, e ainda virgem de sentimentos novos.


Ela era doce, mas sua lágrima descia pelo rosto salgando a pele, porque ele não à queria?


De onde vinha tanta perfeição, tanta coisa para se olhar.

Passaria horas olhando pra ela.


*


Para tentar aos poucos desvendar os mistérios dos seus olhos.

Da onde que vinha aquele recato impenetrável.

Ela sempre teve suas próprias idéias, sua vida, sua comida, sua casa.

Ela era do tipo que tinha seus apegos, suas necessidades, suas coisas.




*

Ela era do tipo auto-suficiente.

Sabia disso. Mas não sabia como agir.

Era virginiana. Sabia disso.

Virginianas são cautelosas.


*

Sempre gostou de ver quando tomava banho todos os seus movimentos eram cauculados.

Primeiro o shampo.

Logo em seguida, não muito tempo depois, o creme.

Descendo pelo pescoço, o sabonete líquido.

Percorrendo o corpo todo, primeiro de um lado, e logo após, o outro.

Tinha manias até para escovar os dentes, achava que escovava um por vez!


Sempre preferiu fazer as coisas por ela mesmo, sem pedir ajuda.

Ele sempre soube que ela era extremanente capaz de fazer tudo sem ele.

Não se preocupou. Sabia de longe que não poderia invadir seu espaço privativo, e secreto.
Porque esse mistério?
De onde vem seus olhos que penetram com facilidade?
De onde vem você pedindo uma frase de amor?
Mesmo assim, ele estava longe dela.
E porque meu Deus, ele não à queria?



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