
Fala de amor como se pudesse pegá-lo com a mão afim de
manipulá-lo.
Falou dela quando entrou correndo, porta à dentro, não sabia se queriam ouvi-la falar,
mas ela só falou, e falou desde então, que se era amor o que sentia, sentia medo.
Medo de que? Questionei. Afim de colocá-la à prova dos seus sentimentos. Ou Organizá-los, só! Dizia aos gritos - " É ela, é ela, a mulher da minha vida!"
Ela toma café, tem mãos lindas e um esmalte gasto, pelos dias, ou pelo trabalho.
Ela tem uma boca enorme e vermelha, um olho verde mas daqueles que combina com a boca e com o vermelho escuro da unha, já meio gasto, repetia.
Ela fugiu de mim, contou-me, assustada.
Xinguei como se xinga uma criança mal-educada!
- O que fizeste?
- Como assim, espantas a mulher da tua vida?
- " Ela é linda!" -respondeu.
- Ela acredita no amor e não acredita em mim, ela fala de amor com facilidade e não tem medo de se expôr, ela me deixa confusa, ela me deixa perdida, ela me encontra, e ela me desperta, ela me invade de coisas que eu não conhecia, ela me carrega no olhar e no movimento da boca, ela me deixa louca, e eu nem dou mais bom dia pra você!
Me falou disso, achando que eu poderia salvá-la. E eu disse : - Salvar? Corre pra ela! Deixa essas cores novas invadirem o teu dia que andava tão bege e cor-de-burro-quando-foge! Prende ela com teus dedos, coloca-a no meio das tuas articulações, afinal pra quê servem tê-las tão visíveis no verso da tua mão?
-Tenho medo! Ela me fará sofrer! Não sei lidar! Disse ela, com receio no olhar.
Ela tem tudo que eu sempre quis, ela fala de amor diferente do meu amor, e eu acho que a nossa opinião é diferente mas é tão bom que seja assim, assim a gente tem o que falar. Assim ela me decifra, e eu adoro ver ela questionar!
Ela que tem acolhido minha sanidade esses dias e hoje choveu e eu queria ter ido lá, e eu achava que não ía sentir falta, nem falei em ir, mas eu queria ver a cor da chuva da janela dela, eu queria ver que cor tem a chuva quando eu sento do lado dela , eu queria ver aquela taça de vinho pela metade, em cima da mesinha de centro, e falar dos meus medos, e sentir corpo dela me aquecer, por boa parte da noite.
Ela me olhou dizendo tudo isso e perguntou-me:
- É amor? Heim? que cor tem esse amor?
E eu disse:
- É cor de inverno que esquenta só de olhar, é cor de verão que dá calor só de tocar, é cor de qualquer estação, que o vermelho possa entrar.
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